A
sustentabilidade têm sido uma das palavras de ordem quando o assunto é
desenvolvimento. “Mas em que ponto a gentileza tange o pensar ecologicamente correto?” Você leitor
deve se perguntar. Adianto que a relação dos dois é tão forte que é difícil
encontrar um ponto só. Os seus próprios
conceitos se confundem, se o olhar do observador não se limitar às aparências. E
isso ficará mais claro ao desenrolar desse texto.
Hoje,
definimos sustentabilidade como o ato
de agir pensando nas gerações futuras. Ou seja, preservar agora para garantir
que não faltem recursos no futuro. Essa preocupação nada mais é do que a
necessidade de garantir condições para a nossa espécie. Queremos que ela se
perpetue da melhor maneira possível.
Primar
por esse bem estar, não se caracterizaria também como uma forma de ser gentil?!
Afinal, enquanto ser sustentável é pensar na preservação da vida, ser gentil
aproxima-se muito do cultivo da
própria vida. Ou ao menos a torna mais agradável e nos permite recebê-la de
forma amável.
Enquanto pessoas, sabemos que é ótimo sentir-se cuidado, transferir esse conceito para o espaço que habitamos, também trás resultados maravilhosos! Diria até mais, a inexistência de um torna a prática da outra, quase impossível.
Imagine-se residindo num espaço completamente
desprovido de natureza, com lixo por todos os cantos, alta mortalidade, falta
de água e poucos recursos que garantam a sobrevivência. Seria possível
verificar atos delicados ou agradáveis, como assim definem os dicionários,
nesse ambiente? Será que a própria rispidez e agressividade que nos
confrontamos diariamente nas cidades, não são meras respostas aos altos índices
de poluição, péssima distribuição de recursos – que além do descaso, ocorrem
também pela ausência dos mesmos, já que se explora mais do que se cultiva– e no
privilégio dos interesses econômicos? Aliás, será possível gerar lucros sem
matéria-prima?!
Não
é curioso, observarmos que os índios, o nossos maiores protagonistas internos
de uma sociedade primitiva, viveram –e diga-se de passagem, ainda vivem- por
tantos anos cultivando apenas para sobreviver?! Aliás, agir dessa forma, foi o
que por muito tempo os deu a áurea de “homens bons”, através de autores como José
de Alencar e tantos outros. Eles têm a nítida consciência de que o cultivo
feito da maneira adequada, garante que o mesmo fruto floresça por mais tempo.
Claro que dentro do nosso sistema social é inadmissível cultivarmos apenas com
esse objetivo, mas por que perdemos o nosso espírito de sobrevivência?! Por que
parece mais lógico esgotarmos todas as fontes de vida pra transformá-las em
luxo e ostentação?!

Aqueles que visam mais o acúmulo de dinheiro do
que um desenvolvimento propriamente dito, em sua grande maioria, menosprezam os
ambientalistas. Usando como justificativa os altos custos na transferência dos
métodos atuais –que só garantem a condição dos próprios- para um que preze a
sustentabilidade. No entanto, as potências mundiais cada vez mais têm criado
mecanismos de classificação global que estabelecem a atitude sustentável como uma obrigação civil.
Jean
Leca, por exemplo, define civilidade como
a atitude individual de preocupação com o bem público. E segundo o mesmo, a
idéia de espírito público se perdeu na sociedade de mercado e fundamentalmente
capitalista.
A
princípio é evidente que a transição de condutas opostas é um processo doloroso,
mas isso não significa que ele será menos recompensador. E isso, meu caro, não
depende de incentivos governamentais para ser constatado. Até porque preservar
é também ser cidadão. E como bem disse
José Murilo de Carvalho: “ a construção de uma cidadania plena exige um sábio
equilíbrio entre os dois espaços – o público e o privado -, pois o predomínio
excessivo de um pólo pode inviabilizar o outro.”
Portanto
comece aos poucos, em casa mesmo e logo você perceberá o retorno econômico e o
bem estar conquistados. Habitue-se a separar seu lixo, a consumir sem
desperdiçar, a reutilizar tudo o que não lhe serve mais como matéria prima para
um objeto novo. Fontes criativas com sugestões é o que não nos falta na
atualidade. Deixe a gentileza entrar, reutilize os ensinamentos dos antigos
moradores dessa terra! Quem sabe se difundirmos essa idéia, não conseguiremos
levar a casa para a rua, como sugere Matta?!
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